quarta-feira, 18 de abril de 2012

Espanha tomará medidas drásticas contra governo argentino

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou na última segunda-feira (16), a nacionalização da petrolífera YPF e enviou ao Congresso um projeto de lei que cede ao governo argentino 51% das ações da petroleira espanhola. Segundo a presidente, o Estado argentino ficará com 26,01% do total das ações da YPF, enquanto os 24,99% restantes serão distribuídos entre as províncias da organização Federal dos Estados Produtores de Hidrocarbonetos (Ofephi).Segundo interlocutores do governo Kirchner, a Repsol através de sua subsidiária no país – YPF deixou de investir no país na produção e exploração de petróleo e gás, afetando as relações entre os dois países. Com isso, o governo argentino acusa a petrolífera de ser a principal responsável pelo aumento das importações de combustíveis, que no ano passado chegaram a quase USD 10 bilhões e os constantes problemas provocados pela escassez de produtos como gasolina e diesel, consumidos pelos setores mais populares.De acordo, com um recente relatório divulgado pelos municípios produtores de petróleo da Argentina, “a queda da produção de todas as empresas de gás e petróleo foi de 11% e 18%, respectivamente”, mas o documento aponta uma redução de 30% no caso da Repsol-YPF. A petroleira espanhola é a maior produtora local de petróleo e líder no mercado de combustíveis, com 54% de refino.Com as petrolíferas ameaçadas pelo governo argentino, o ministrou de Minas e Energia, Edison Lobão prometeu investimentos da estatal no país, depois da companhia ter sido retirada a concessão de uma área de exploração no sudoeste do país, na província de Neuquén. Em nota, o ministério do Planejamento da Argentina, informou que “os dois países concordaram em trabalhar no desenvolvimento de projetos de investimento”. No próximo dia 20, em Brasília, o diretor-executivo da Petrobras Argentina, Carlos Alberto da Costa, e o ministro de Hidrocarbonetos da Argentina, Julio de Vido, vão trabalhar na elaboração de um projeto de investimentos da companhia no país, que será avaliado pelo governo brasileiro.Espanha reage contra reestatizaçãoOntem (16) , o governo espanhol reagiu duramente contra o governo da presidente Cristina Kirchner. Segundo o ministro de Indústria, Energia e Turismo da Espanha, Manuel Soria, a decisão argentina é “contra uma empresa espanhola e, portanto, contra a Espanha e conta o governo da Espanha”, disse. O ministro avisou que o governo espanhol tomará medidas severas nos próximos dias.Em visita à Brasília, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, criticou a decisão argentina. “É uma decisão que será muito debatida e com razão. Não vou opinar aqui porque não conheço detalhes. Acho que a competição e a presença de um mercado aberto no setor de energia é o modelo mais preferível”, disse Hillary. As ações da Petrobrás Argentina caíram ontem 0,77% na Bolsa de Valores de Buenos Aires. Assim como ocorria com a Repsol, a Petrobrás brasileira tem sofrido pressões do governo para investir mais.Depois de todo alvoroço causado pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner em reestatizar a petroleira espanhola Repsol-YPF, o presidente da companhia, Antonio Brufau afirmou em coletiva realizada hoje (17), em Madrid, que a Argentina produziu uma campanha de "fustigação, coações e vazamentos interesseiros e planificados" para provocar a queda do preço da YPF e facilitar assim sua desapropriação a preço de saldo. Ainda no encontro, Brufau disse que vai recorrer à Justiça sobre a decisão da presidente Cristina Kirchner. Fonte:NN

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