
O risco de vazamentos e de acidentes na exploração marítima de petróleo não crescerá só por conta da maior produção de petróleo nos próximos anos, com o desenvolvimento do pré-sal. Outro "fator crítico", dizem especialistas, é o aumento do número de embarcações, dutos e terminais para a movimentação de petróleo e de derivados no mar. "As operações de transferência de petróleo, em si, constituem um ponto crítico de todo o processo. Mesmo que a frequência de acidentes se mantenha, o maior volume de produção já é suficiente para ampliar o número absoluto de acidentes", diz Marcus D'Ellia, especialista do Ilos, consultoria especializada em logística. Dados do Ibama e da Petrobras mostram que, desde o vazamento do campo de Frade, da Chevron, em novembro, ocorreram, ao menos, 14 incidentes com derramamento de óleo ou outros produtos no mar.Para Maurício Canedo, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), as condições "extremas" de exploração de óleo e gás no pré-sal, por si só, já representam um risco adicional. Entre elas, está a maior profundidade e corrosão de materiais por conta das características dos reservatórios nos quais o gás carbônico e o enxofre são abundantes. Canedo lembra ainda que o risco de acidentes também tende a ser maior enquanto as novas tecnologias empregadas no pré-sal não estão completamente sob domínio da Petrobras, de outras petroleiras e dos fornecedores. D'Ellia ressalta ainda que a Petrobras desenvolve uma solução inédita para escoamento de óleo do pré-sal que, dependendo da alternativa, pode evolver mais ou menos risco de vazamentos chegarem à costa. Tanto Canedo como D'Ellia dizem ainda que falta "uma ação coordenada" de governo para combater acidentes, planejar a prevenção e definir as ações a serem tomadas.Fonte:FolhadeS.Paulo
Nenhum comentário:
Postar um comentário